Análise: Guerrero veste as camisas 9 e 10 em nova exibição de alto nível no Fla

No dia 1º de março, na Folha de S. Paulo, Tostão, escritor de categoria e craque histórico do futebol brasileiro, colocou Guerrero entre os bons atacantes do futebol brasileiro. Explicou por que considera Fred o melhor e definiu o peruano – autor de dois gols da vitória do Flamengo (2 a 1) sobre o Botafogo na semifinal do Carioca, nesse domingo no Maracanã:

“Guerrero tenta fazer o mesmo (sair da área para trocar passes e se movimentar), mas erra muito. É ótimo nas finalizações e nos passes curtos, em pequenos espaços.” Linhas antes, Tostão definia as funções e qualificações de um craque com a 9 – que tão caiu bem nas suas costas na Copa de 1970.

“Melhor ainda que um centroavante artilheiro é ter um time que não dependa apenas de seus gols. Melhor ainda é o centroavante que não precise fazer gols para jogar bem. Melhor ainda é o centroavante que se movimente bastante, que dê passes decisivos e participe do jogo coletivo. Melhor ainda é que ele, além de artilheiro, reúna características de pivô, distribuidor de bola, e de atacante, que penetre para receber a bola na frente.”

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O “meia” Guerrero voltou ao meio de campo e ajudou no ataque (Foto: Footstas)

Contra o Vasco, com Diego em campo, Guerrero bem menos participativo (Foto: Footstats)Contra o Vasco, com Diego em campo, Guerrero bem menos participativo (Foto: Footstats)

Contra o Vasco, com Diego em campo, Guerrero bem menos participativo (Foto: Footstats)

Perdoe, Doutor Tostão. Você precisa ver mais o peruano. Não são só as atuações e os gols no Carioca e na Libertadores. Guerrero vive o esplendor da forma técnica – provavelmente também na parte física e tem a ver com a adaptação (ele confessou em entrevista ao GloboEsporte.com que sentiu o calor carioca na chegada) – no Flamengo desde os últimos meses do ano passado. Aquela avaliação “erra muito” de Tostão tinha a ver com o peruano que sofreu na chegada ao Fla e que de fato não agradava muito a torcida.

Sem Diego pela primeira vez, o time do Flamengo entrou com Márcio Araújo na frente dos zagueiros e um bloco de quatro jogadores atrás de Guerrero. Everton e Rômulo na esquerda, Gabriel e Arão, direita. A mesma ideia da partida contra a Católica – e favorita para jogar na quarta-feira contra o Atlético-PR em Curitiba pela Libertadores – adaptada ao estilo de jogo do Botafogo, que briga muito para fechar espaços e pela bola no campo de defesa. O quarteto do meio de campo, porém, não criava o suficiente.

Foi num passe vertical de Réver no meio do primeiro tempo que surgiu a primeira jogada trabalhada do Flamengo. O zagueiro tocou para Guerrero, que, de primeira, deixou Arão em boas condições. Ali, Guerrero começava a “desmanchar” – termo usado por Zé Ricardo na coletiva – o sistema defensivo do Botafogo. No início do segundo tempo, de peito, o peruano tocou para Everton. No rebote, o peruano pegou de primeira e colocou o Flamengo em vantagem.

O treinador do Flamengo reconheceu mais uma vez a importância do seu camisa 9. O peruano está empatado na artilharia do estadual com Adriano, do Nova Iguaçu, com nove gols – Richarlison, do Fluminense, tem um a menos.

 

Vários aspectos explicam essa fase do Guerrero. Na área é perigoso, quando sai da área sabe o que fazer. Além de saber fazer gols sabe servir bastante também. Ele assumiu realmente o protagonismo que a gente espera dele. Faz o papel e tudo aquilo que a gente espera dele (Zé Ricardo)