Análise: Palmeiras mostra elenco, e aposta de Cuca é boa ideia para Copa do Brasil

Dois raciocínios emergem do dicionário dos clichês quando se pensa na vitória do Palmeiras sobre o Sport neste domingo – 2 a 0 na Arena Pernambuco. O primeiro: que ter elenco numeroso e qualificado faz diferença na longa caminhada do Brasileirão (verdade). O segundo: que um meio-campo recheado de volantes há de formar um time retrancado (não necessariamente).

O Palmeiras mostrou que seu grupo de jogadores ainda é um diferencial. Sem seis titulares (Mina, Tchê Tchê, Guerra, Dudu, Róger Guedes e Willian) e outros reservas momentâneos (Felipe Melo, Borja e Zé Roberto), o Verdão viu atletas coadjuvantes darem conta do recado. Eles mereceram a vitória.

E o merecimento passou justamente pelos volantes. Cuca montou a equipe com três jogadores teoricamente de marcação no meio: Thiago Santos, Bruno Henrique e Jean. O trio fez o seguinte:

Bruno Henrique: marcou o primeiro gol, de cabeça, e arrancou com a bola dominada para dar o passe para o segundo, de Keno – depois de desarmar Patrick.

Jean: com dez minutos de jogo, já tinha duas conclusões a gol, a primeira de dentro da área, muito perigosa. Marcou como volante e foi ao ataque como meia.

Thiago Santos: foi um dos principais responsáveis por marcar Diego Souza, o melhor jogador do Sport. Teve oito desarmes e três roubadas de bola.

A estratégia de Cuca, portanto, funcionou – como já funcionara, com peças diferentes, no bom empate contra o Flamengo, na rodada anterior. A aposta do treinador fez o time buscar quatro pontos fora de casa contra duas equipes que estavam no G-6.

Formação inicial do Palmeiras na vitória de 2 a 0 sobre o Sport (Foto: GloboEsporte.com)Formação inicial do Palmeiras na vitória de 2 a 0 sobre o Sport (Foto: GloboEsporte.com)

Diante do Sport, Thiago Santos jogou centralizado, à frente da zaga, mais tímido na saída ao ataque – função que ficou particularmente a cargo de Jean, pela direita, e de Bruno Henrique, pela esquerda.

Thiago Santos ficou mais próximo da defesa, dando espaço para Jean e Bruno Henrique ajudarem o ataque (Foto: Tossiro Neto)Thiago Santos ficou mais próximo da defesa, dando espaço para Jean e Bruno Henrique ajudarem o ataque (Foto: Tossiro Neto)Thiago Santos ficou mais próximo da defesa, dando espaço para Jean e Bruno Henrique ajudarem o ataque (Foto: Tossiro Neto)

À frente deles, três atacantes: Erik na direita, Deyverson estreando centralizado e Keno pendendo para a esquerda. Sem um armador clássico, era fundamental que atacantes e volantes se aproximassem: os primeiros recuando, os segundos avançando. Sem isso, ficaria um latifúndio entre setores.

O lance do segundo gol é exemplar do bom funcionamento do sistema contra o Sport. É lance pra encher o treinador de orgulho. Nele, Patrick, do Sport, tem a bola frente a frente com Bruno Henrique. E é desarmado. O volante, então, parte para o campo de ataque à espera da movimentação ofensiva dos colegas. Keno se desloca – e é lá que Bruno Henrique manda a bola. O atacante desvia do goleiro e faz o gol.

Bruno Henrique, nessa jogada, fez tudo que um treinador pode esperar de um volante que não tem funções apenas defensivas: bom posicionamento, capacidade de desarme, presença ofensiva e visão de jogo. Antes disso, de cabeça, o jogador abrira o placar para o Palmeiras.

A vitória foi importante, mas o Palmeiras segue muito longe do líder Corinthians – são 14 pontos de distância. Por isso, talvez o maior legado do jogo em Pernambuco tenha sido oferecer uma alternativa para o duelo contra o Cruzeiro, quarta-feira, pela Copa do Brasil.

O cenário exige um time que saiba atacar sem dar espaços. No confronto de ida, houve empate por 3 a 3. Ao Palmeiras, resta vencer. Os empates por 0 a 0, 1 a 1 e 2 a 2 servem ao Cruzeiro, mas o time mineiro jogará em casa – não terá direito a ficar retraído o tempo todo.

ESTATÍSTICAS DO JOGO CONTRA O SPORT:

 

  • Posse de bola: Sport 59% x 41% Palmeiras
  • Finalizações: Sport 13 x 8 Palmeiras
  • Chances reais de gol: Sport 5 x 5 Palmeiras
  • Passes errados: Sport 40 x 23 Palmeiras
  • Desarmes: Sport 25 x 60 Palmeiras

 

Cinco jogadores do Palmeiras não estão inscritos na Copa do Brasil: Mayke, Luan, Juninho, Bruno Henrique e Deyverson. A questão é como Cuca armará o meio-campo com os retornos de Tchê Tchê (volta naturalmente no lugar de Bruno Henrique), Guerra e talvez Zé Roberto – ou até de Felipe Melo, se o treinador quiser.

É uma escolha difícil. O Palmeiras tem seus titulares, entre eles há uma hierarquia, mas Cuca encontrou, em seus jogos fora de casa, uma boa ideia para tentar tirar a vantagem do Cruzeiro.

(Com informações do Globo Esporte)